sexta-feira, 13 de março de 2015

Homenagem a Carlos Chagas

Carlos Chagas teve quatro indicações ao prêmio máximo da medicina

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O cientista brasileiro Carlos Chagas (1878-1934) foi indicado quatro vezes para o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia. Essa informação, com 85 anos de atraso, é peça de um enigma difícil de entender: por que, quando os contemporâneos europeus de Chagas com descobertas da mesma natureza eram laureados, o Nobel foi negado ao descobridor de uma das doenças parasitárias que mais afligem o continente americano?
As quatro indicações de Chagas ao Nobel foram confirmadas por Nils Ringertz, secretário da Comissão Nobel para Fisiologia e Medicina, do Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia.
A indicação de Chagas ao Nobel de 1921 foi examinada por Gunnar Hedén, que "aparentemente" fez um relatório oral à comissão. Nada consta quanto à indicação de 1913. Nesse ano, Charles R. Richet levou o prêmio em reconhecimento ao seu trabalho de descoberta da reação anafilática, em que um organismo reage à injeção na corrente sanguínea de uma determinada proteína.
Em 1921, não houve laureado. Comentando a nomeação de que tinha conhecimento, de 1921, o historiador Sierra Iglesias afirma que o instituto sueco se dirigiu a organismos brasileiros, que desaconselharam a premiação, mas não menciona as fontes (1).
Segundo João Carlos Pinto Dias, pesquisador da Fiocruz (Fundação Instituto Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro, não há, nos arquivos de Manguinhos ou com a família de Chagas, nenhum documento sobre o caso (2).
A primeira indicação oficial, datada de 1º de janeiro de 1913, foi de Pirajá da Silva. A segunda, de 21 de dezembro de 1920, foi feita por H. de Gouvêa. Foram feitas duas outras indicações não-oficiais, segundo Ringertz.

A descoberta da doença

Há 90 anos, Chagas apresentou à comunidade científica e médica um pacote de novidades: um novo parasita (o protozoário Trypanosoma cruzi), transmitido por um inseto hematófago (que se alimenta de sangue) a diferentes vertebrados, e uma série de sintomas associados à infecção humana daquele protozoário.
Chagas acabava de "inventar" uma nova doença tropical, a tripanossomíase americana, batizada depois de doença de Chagas. Reconhecido imediatamente no Brasil e no mundo, Chagas recebeu prêmios e honrarias.
Em 1912, Chagas ganhou o Prêmio Schaudinn, conferido a cada quatro anos pelo Instituto de Doenças Tropicais de Hamburgo (Alemanha) à mais significativa contribuição em protozoologia.
Os concorrentes de Chagas eram Ehrlich, Roux, Metchnikoff, Laveran, Nicolle e Leishman. Laveran ganhou o Nobel em 1907, Ehrlich e Metchnikoff foram laureados em 1908 e Nicolle, em 1928. Os membros da comissão julgadora eram outras tantas celebridades, que incluíam Koch (Nobel em 1905), Ross (Nobel em 1902) e Golgi (Nobel em 1906).
De 1912 até praticamente sua morte, Chagas recebeu convites e honrarias de muitas instituições estrangeiras.

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Mas, se no exterior a receptividade a Chagas foi grande, no Brasil a relação da comunidade médica e científica com a descoberta e seu descobridor foi sempre ambivalente: não há dúvidas de que houve muita euforia no momento em que a descoberta foi divulgada.
Em 1910, Chagas foi aclamado membro titular da Academia Nacional de Medicina e foi escolhido para ocupar um cargo de chefia no Instituto Soroterápico de Manguinhos. Depois que Oswaldo Cruz morreu, em fevereiro de 1917, Chagas herdou a diretoria do instituto. Em 1920, quando foi criado o Departamento de Saúde Pública, Chagas foi nomeado seu primeiro diretor, acumulando cargos.
O prestígio de Chagas tanto na medicina experimental como na saúde pública parecem evidentes. No entanto, existiu desde muito cedo um grupo de descontentes.

O "grupo anti-Chagas"

Cada novo cargo, honraria ou indicação no Brasil reforçava o "grupo anti-Chagas". Não gostavam das idéias de Chagas, dos critérios de mérito que ele e Oswaldo Cruz instituíram, das relações de Chagas com instituições estrangeiras e nem da sua condução dos negócios da saúde pública.
Quando o Departamento de Saúde Pública foi criado, o poderoso Afrânio Peixoto tinha a pretensão de dirigi-lo. Com a nomeação de Chagas, Afrânio tornou-se o mais virulento inimigo do descobridor da tripanossomíase.
Foi Afrânio Peixoto quem, dois anos depois, abriu a chamada "disputa da Academia Nacional de Medicina", em que acusações sérias foram feitas em reunião daquela casa em novembro de 1922.
Chagas solicitou que uma comissão julgasse as acusações que lhe faziam: a de que a doença não era consistente, de que ela não tinha relevância epidemiológica e de que ele próprio não seria nem mesmo o seu descobridor, cabendo o título a Oswaldo Cruz.
A comissão trabalhou de forma turbulenta, de 1922 a 1923. Finalmente, em 6 de dezembro de 1923, a comissão concluiu favoravelmente a Chagas.

O desprestígio da descoberta

Depois da disputa da academia, a doença de Chagas caiu no esquecimento: não foi mais discutida e foi pouco pesquisada. Sumiu dos currículos médicos e não foi mais diagnosticada nos hospitais.
Só depois da morte de Chagas, em 1934, é que um vigoroso movimento de restauração do interesse na doença vingou. A partir daí, milhares de novos casos foram diagnosticados e o alcance epidemiológico da doença pôde ser compreendido.
A pesquisa cresceu e gerou claros casos de sucesso científico tanto no controle da doença, em clínica e, mais recentemente, em biologia molecular.
Talvez jamais saibamos exatamente o que impediu que Chagas viesse a ser o primeiro brasileiro a ganhar o Prêmio Nobel. Só o que sabemos é que nenhum brasileiro esteve tão perto dele.

Uma pesquisa completa

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É muito provável que Carlos Chagas não tenha ganho o Nobel devido à inveja e à intriga de outros brasileiros. Mas o tempo fez justiça a ele e colocou seus detratores no esquecimento, especialmente o misto de escritor, médico e político, Afrânio Peixoto.
Chagas descobriu uma doença que afeta hoje 18 milhões de pessoas na América Latina. Seus sucessores constituem um dos grupos mais dinâmicos da pesquisa no país.
Peixoto, apesar de sua carreira de medalhão - membro da Academia Brasileira de Letras, diretor de hospital, reitor de universidade, deputado federal -, quando muito é lembrado em livros de história da literatura como um "escritor menor", um "epígono" (um banalizador de uma corrente literária).
Questionado se havia algum brasileiro que poderia ter merecido ganhar o prêmio mais importante da ciência, o pesquisador e jornalista José Reis, colunista da Folha, respondeu rapidamente, em uma entrevista em 1990: "Um é o Carlos Chagas, que fez uma das maiores descobertas científicas do mundo. Uma das mais completas: descobriu a doença, o parasita e o transmissor".
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a doença de Chagas mate 45 mil pessoas a cada ano. É portanto uma área de pesquisa relevante.

Atraso na pesquisa
A recusa em reconhecer a doença e começar seu estudo, graças aos detratores de Carlos Chagas, causou alguns anos de atraso não só na pesquisa científica, como também nas medidas sociais de controle do problema. O combate ao vetor, o inseto barbeiro, continua sendo hoje a melhor maneira de evitar a disseminação.
O protozoário causador da doença é um alvo difícil. Há drogas em uso para tratar a etapa inicial da doença, mas não há terapia para a fase crônica. Cerca de 30% dos doentes apresentam complicações cardíacas. O parasita também afeta o fígado, o baço e a pele.
A Federação das Sociedades de Biologia Experimental realiza todo ano em Caxambu (MG) uma concorrida reunião internacional sobre os avanços na pesquisa.
Quando a equipe liderada por Júlio Urbina, do Instituto Venezuelano de Investigações Científicas, de Caracas, descobriu uma terapia promissora para o mal de Chagas, a pesquisa foi relatada na revista norte-americana "Science", uma das mais importantes do planeta. Mas, antes disso, ele já havia comunicado resultados preliminares para seus colegas da área na reunião de Caxambu.
Até os ônibus espaciais americanos já foram recrutados para o estudo da doença. Glaucius Oliva, do Instituto de Física de São Carlos, da USP (Universidade de São Paulo), enviou ao espaço cristais de proteínas do parasita. No ambiente espacial, os cristais crescem melhor, tornando mais fácil a identificação de sua estrutura molecular.
Em compensação, a obra de Afrânio Peixoto hoje só é lida por poucos. Comentando algumas de suas tentativas literárias, Alfredo Bosi, autor do clássico "História Concisa da Literatura Brasileira", foi taxativo: "A verdade é que nunca ultrapassaram os lugares-comuns do provincianismo cultural de festejado acadêmico".

Doença afeta 18 países

Nascido em 1878, em Oliveira (MG), Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas descobriu a doença tripanossomíase americana, depois conhecida como doença de Chagas, em 1909.
A descoberta da enfermidade e seu estudo foram realizados pelo pesquisador praticamente sozinho.
Atualmente, apesar dos programas de controle da transmissão, a doença ocorre em 18 países latino-americanos e ameaça 70 milhões de pessoas.
O ciclo da doença começa quando o barbeiro se alimenta e imediatamente defeca. Os parasitas presentes nas fezes penetram a perfuração feita pela picada e chegam à circulação sanguínea. Após uma fase aguda, desenvolve-se um estágio crônico. Ainda não há cura para a doença. (MC)

terça-feira, 10 de março de 2015

FEBRE CHICUNGUNHA


Cesariana X parto normal

O nascimento de uma criança é um momento mágico para a mãe, mas afinal qual é a melhor forma de acontecer esse fenômeno fantástico? Depois de ter minhas experiencias como pai, tenho uma coisa a dizer, muitas vezes as mulheres escolhem o parto normal, porém por não ser viável ou por insegurança o médico indica a cesariana, será que isso esta correto?

Fato que não podemos discutir que partos cirúrgicos foram e são muito importantes na redução de mortes de recém-nascidos e mulheres de todo mundo, constata-se que de todos os nascimentos no planeta a cesariana corresponde a 15%, só para para ter uma ideia, a cada minuto nascem em média 250 crianças, portanto 37 (15%) são de cesariana.

Porém o parto normal é aconselhável para uma pessoa saudável, pois o processo hormonal e as modificações no corpo da mãe são essenciais para a manutenção das defesas da criança. No ultimo mês de gestação o nível de progesterona e estrógeno no corpo da mulher é extremamente alto, dessa forma impede a expulsão do bebê. Quando chega o grande momento, esses hormônios começam a diminuir e a hipófise secreta o hormônio OCITOCINA, que estimula o útero a contrair para o nascimento, muitos estudos citam esse hormônio também esta relacionado com a ligação fraterna (instinto materno) e cuidados com a criança.







Além da OCITOCINA, outra substância envolvida é a prostaglandina, substância que é produzida pelas células de defesa e ajudam a expulsar a criança do útero, essa substância esta envolvida aos abortos naturais.

O que é mais interessante é que o bebê também secreta hormônios que aumentam os receptores da ocitocina materna. Quando bebê passa pelo canal vaginal, além de diminuir os riscos de aspiração do líquido amniótico, bactérias presentes no canal possibilitarão o aumento da imunidade para o resto de sua vida.


Bom uma coisa eu sei, ser pai é o sentimento mais incrível que já senti.....agradeço a minha esposa, linda, guerreira e fantástica por me proporcionar tamanha felicidade.....parabéns a todas as mulheres por esse dom que Deus e a natureza lhes deram.....






quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

As aparencias dos hematomas

Em um trauma, uma batida forte, vários vasos sanguíneos de menor calibre (capilares) são arrebentados. Isto é normal. Estes vasos são tão finos que mesmo rompidos, eles serão refeitos para continuar a nutrir os tecidos. Porém, por algumas semanas você vai ficar com um bonito hematoma na pele, bem colorido e que muda de cor com o passar do tempo. Mas por que isto acontece?
Primeiro, a cor roxa ou preta de um olho que levou um soco, por exemplo, acontece por causa das hemácias que viajam dentro dos vasos sanguíneos e que extravasam pelos tecidos quando os capilares são rompidos. Fora dos capilares, as hemácias acabam pintando a área machucada com sua cor bem escura.
Por isso, o recomendado para não ter grandes hematomas é colocar uma bolsa de gelo logo depois do acidente. O gelo faz com que os vasos se retraiam, diminuindo o seu tamanho e modificando a quantidade de sangue que passa por eles. Com menos sangue, poucas hemácias vão chegar ao local machucado, deixando os hematomas menos visíveis.
Depois de sair dos vasos sanguíneos, as hemácias não podem ficar ali em meio ao tecido, já que perdem sua função. É neste momento que entra em ação os fagócitos (leucócitos). Eles vão digerir estas células mortas, trabalhando como lixeiros do corpo humano. Desta forma eles deixam a área traumatizada pronta para se renovar.
E é durante o trabalho dos fagócitos que os hematomas começam a mudar de cor. De roxo para verde. Os fagócitos estão degradando a hemoglobina, principal molécula de uma hemácia, em biliverdina. A biliverdina, como você pode reparar pelo nome, é verde e ela é como a molécula de hemoglobina, mas sem o grupo heme (ferro) que é responsável por fazer a ligação com o oxigênio no nosso corpo.
Do verde, o machucado passa para tons alaranjados e amarelos. Isto acontece porque os fagócitos continuam trabalhando e degradando a biliverdina em bilirrubina. Isto acontece de forma muito rápida. A bilirrubina é o que deixa a cor das fezes do jeito que elas são, por exemplo.
Como você deve ter reparado estas moléculas tem um nome bem conhecido: "bili". E deve ser isto mesmo que você está pensando. Todo este processo é integrado com uma importante função do fígado que é destruir as hemácias mortas, já que dentre as células do corpo, elas são um dos tipos que tem uma vida relativamente curta (3 meses). Tudo está integrado pelo Sistema Porta hepático (retorno venoso do sangue) e as excreções deste processo saírão nas fezes.

Pelos para que te quero!!!

Os pelos púbicos e das axilas, o famoso “sovaco”, são importantes. Se não fosse assim, porque eles nasceriam especificamente nestes lugares, não é mesmo? Primeiro, estes pelos são ligeiramente diferentes dos outros que temos espalhados pelo corpo. Eles crescem de forma diferente entre meninos e meninas por causa dos hormônios produzidos durante a puberdade. Entre as meninas acontece entre 8 e 14 anos. Já entre os meninos, 10 e 15.
Mas porque estes pelos aparecem nesta idade e especificamente embaixo dos braços e entre as pernas? A resposta ainda não é precisa, mas a mais aceita atualmente é que está relacionada com as glândulas de suor.
Existem dois tipos de glândulas sudoríparas. As écrinas e apócrinas. As glândulas écrinas estão espalhadas por toda a pele e secretam apenas o suor com uma composição basicamente feita de água e alguns sais minerais. A função deste suor é controlar a temperatura corporal. Por outro lado, as glândulas apócrinas, que são encontradas de forma abundante nas axilas e na região púbica, secretam além de água, substâncias mais consistentes e gordurosas. O que os cientistas acreditam é que os pelos crescem por causa desta secreção.
Como estas moléculas mais gordurosas são secretadas durante a puberdade, isto explicaria o crescimento destes pelos. Faz sentido, já que os pelos pubianos e das axilas são diferentes dos fios de cabelo, como já citamos no começo. Eles são mais encaracolados, por causa do folículo mais estreito, e crescem por menos tempo. Enquanto o fio de cabelo tem um tempo de vida máximo de 7 anos, os pelos pubianos e das axilas cresce por apenas 6 meses e depois caem.
As glândulas nestas regiões são conhecidas como glândulas de odor. Estas moléculas orgânicas secretadas são fonte de alimento para bactérias que vivem sobre a nossa pele e a digestão provocada por estes microrganismos é o que causa o cheiro característicos destas partes do nosso corpo. Os pelos acabam fornecendo o ambiente para o crescimento destas bactérias.
Depilar ou não depilar?
Quando falo em depilar, digo: tirar todos os pelos, não apenas aquela aparada na mata... E seja por qual método for: raspar com lâmina, retirar com cera ou a laser. Devemos lembrar que estes pelos fazem parte de uma proteção natural, uma resposta fisiológica que acontece em todos indivíduos normais da nossa espécie. Lógico, alguns têm mais pelos do que outros. Mas todos têm pelos.
Os pelos servem para diminuir a fricção existente no contato de pele com pele. E não estou falando de sexo, mas de uma coisa mais simples como andar. Os pelos diminuem as assaduras nas virilhas.
Outra boa função é criar uma barreira contra as bactérias. Pensar que tirar os pelos vai deixar o local mais limpo é ingênuo. As bactérias estão por toda a parte e ter pelos previne que elas tenham contato direto com a pele, o que seria a última barreira para entrar em nossos corpos.
Um dos benefícios encontrado na depilação é evitar pequenos parasitas, os piolhos-da-púbis, popularmente conhecidos como chatos. Porém, o aparecimento destes parasitas é tão raro na população, que muitas depilações são desnecessárias se for levar em consideração este argumento.
Para finalizar, uma ideia. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos comparou ensaios fotográficos em revistas e filmes pornográficos e constataram que houve uma mudança no padrão estético destas produções. O que parece um contrassenso, já que os pelos ajudam a espalhar mais facilmente as moléculas de cheiro conhecidas como feromônios, cujos estudos indicam ter papel relevante nas relações sexuais.

O doping de Anderson ‘Spider’ Silva

A notícia chocou os fãs das artes marciais. O grande lutador brasileiro, Anderson Silva, na sua volta às lutas acabou sendo flagrado no exame antidoping. O teste acusou o uso de esteroides anabolizantes. Anderson admite que houve algum erro no teste e que nunca faria uso de substâncias que lhe garantissem um melhor desempenho. Agora ele espera que seja o feito da contraprova, uma outra amostra do lutador está no laboratório que faz os testes para a categoria nos Estados Unidos.
A urina de Anderson Silva acusou a presença de drostanolona e androsterona. As duas substâncias são metabólitos secundários de tratamentos com os chamados esteroides androgênicos anabólicos. São substâncias que simulam os efeitos da testosterona.
Nos esportes, o uso de anabolizantes foi utilizado pela primeira vez para melhorar o desempenho em competições de levantamento de peso. Com a Guerra Fria, as superpotências mundiais disputavam nos esportes a hegemonia e o uso de esteroides se generalizou por diversos esportes. Somente na década de 80 que as autoridades desportivas começaram a punir atletas que se utilizavam da dopagem através destas substâncias.
Esta classe de substâncias estão diretamente relacionadas à puberdade em indivíduos do sexo masculino. Porém, são produzidas durante toda a vida e também em pequenas quantidades em mulheres.
Estes esteroides têm um efeito direto em regiões do DNA para síntese de proteínas que formam os músculos (miogênese). Outro efeito está na formação das características masculinas no organismo. E ainda atua como pró-hormônio, funcionando como precursor de estrogênio, envolvido diretamente no desenvolvimento ósseo. Como sabemos, a testosterona é produzida naturalmente pelo corpo, nos órgãos sexuais (testículos e ovários).
A natureza química das moléculas de esteroide (lipídeo) fazem com que elas passem facilmente pela membrana plasmática e também pela carioteca chegando diretamente no seu alvo que é o DNA. Por isso a ação destas substâncias tem um efeito rápido quando administradas aos pacientes, dependendo é claro do tipo de esteroide usado.
A descoberta dos efeitos dos esteroides androgênicos tem uma história anedótica. Dizem que o médico Charles-Édouard Brown-Séquard soube de um amigo que havia testado em si mesmo o extrato de testículos. Este colega aplicou o extrato no dedo e observou o aumento da força muscular do membro.
Atualmente, utilizam-se de esteroides anabolizantes tratamentos médicos regulares, principalmente entre pacientes com anorexia e idosos para a recuperação da massa muscular perdida em excesso.  Diferente do uso para desempenho atlético, estas dosagens são muito menores e cujos efeitos colaterais também diminuem.
Existem muitos mitos sobre estes efeitos colaterais. O principal dele é de que o pênis diminui. Não é bem o pênis que diminui, mas o uso contínuo e exagerado pode levar a uma atrofia dos testículos. Outra lenda é sobre a agressividade de quem toma este tipo de medicamento. Testes mostraram que não existe nenhuma relação entre as duas coisas.
O maior problema do uso de anabolizantes é entre os jovens que querem ficar “bombadões”. Sem nenhum acompanhamento sério e especializado, eles tomam doses exageradas e muitas vezes são enganados por quem vende as substâncias. Nem sempre o que se oferece nos vestiários de academias são esteroides anabolizantes seguros para o uso humano e que podem causar sérios problemas de saúde, podendo até levar esta pessoa à morte.

Todos os homens ja foram mulheres!!!

Parece meio confuso este título, não é? Mas vamos aprender um pouco sobre o desenvolvimento embrionário para sacar o porquê dele. Na verdade, fenotipicamente, ou seja, em relação à aparência dos indivíduos, todos os humanos começam sua vida uterina com gêneros sexuais neutros. A aparência externa das genitálias só aparecerá depois de algumas semanas de gestação.
Como vocês já sabem, dentro das nossas células nós temos 23 pares de cromossomos. Vinte dois destes pares são chamados de cromossomos autossômicos, enquanto o par restante é de cromossomos sexuais. Homens apresentam dois cromossomos diferentes (X e Y) e as mulheres dois cromossomos do mesmo tipo (dois cromossomos X).
Ok, geneticamente, nós homens somos concebidos com os cromossomos X e Y, porém, durante o início da gestação, o cromossomo Y permanece inativo.
Somente o cromossomo X estará ativo nas primeiras seis semanas de desenvolvimento do embrião. Este cromossomo é o que determinará as características físicas de uma mulher até o nascimento do bebê. Após as primeiras seis semanas, nos homens, o cromossomo Y é ativado. E o que o cromossomo Y muda no desenvolvimento do ser humano?
O cromossomo Y inclui um gene chamado de SRY. Este gene tem duas funções. Uma é inibir o funcionamento de alguns genes do cromossomo X, a outra é impor a dominância do cromossomo Y sobre o cromossomo X para que as características masculinas se desenvolvam.
As “gônadas” se deslocam do seu lugar e acabam se transformando em testículos que acabam sendo envolvidos pelo tecido que formaria nas mulheres os lábios vaginais, formando o saco escrotal e pênis. Você, garotão, que gosta de ficar se vendo no espelho pode reparar que bem no centro do saco escrotal é formada uma linha. Esta é a linha da junção dos lábios vaginais que acontecem nesta fase do desenvolvimento embrionário. A linha recebe um nome específico, chamada de rafe escrotal.
A pele do escroto e do pênis é fechada como um zíper e conforme este fechamento vai sendo finalizado, chega ao ponto de uma estrutura especial, que nas mulheres é o clitóris. O clitóris corresponde no homem à glande ou a “cabeça” do pênis.
Outra coisa interessante deste desenvolvimento é que os mamilos são formados nos embriões antes da ativação do cromossomo Y. Por isto homens têm mamilos, mas não desenvolvem seios porque o cromossomo Y inibe a formação dos seios durante a puberdade.
Se por acaso o gene SRY não for ativado durante o desenvolvimento embrionário, teremos uma pessoa geneticamente do sexo masculino, porém com características sexuais e corporais femininas. Do mesmo jeito, o gene SRY pode ser inserido no cromossomo X durante o crossing-over e assim teremos um indivíduo geneticamente feminino (XX), porém com características masculinas.