quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

As aparencias dos hematomas

Em um trauma, uma batida forte, vários vasos sanguíneos de menor calibre (capilares) são arrebentados. Isto é normal. Estes vasos são tão finos que mesmo rompidos, eles serão refeitos para continuar a nutrir os tecidos. Porém, por algumas semanas você vai ficar com um bonito hematoma na pele, bem colorido e que muda de cor com o passar do tempo. Mas por que isto acontece?
Primeiro, a cor roxa ou preta de um olho que levou um soco, por exemplo, acontece por causa das hemácias que viajam dentro dos vasos sanguíneos e que extravasam pelos tecidos quando os capilares são rompidos. Fora dos capilares, as hemácias acabam pintando a área machucada com sua cor bem escura.
Por isso, o recomendado para não ter grandes hematomas é colocar uma bolsa de gelo logo depois do acidente. O gelo faz com que os vasos se retraiam, diminuindo o seu tamanho e modificando a quantidade de sangue que passa por eles. Com menos sangue, poucas hemácias vão chegar ao local machucado, deixando os hematomas menos visíveis.
Depois de sair dos vasos sanguíneos, as hemácias não podem ficar ali em meio ao tecido, já que perdem sua função. É neste momento que entra em ação os fagócitos (leucócitos). Eles vão digerir estas células mortas, trabalhando como lixeiros do corpo humano. Desta forma eles deixam a área traumatizada pronta para se renovar.
E é durante o trabalho dos fagócitos que os hematomas começam a mudar de cor. De roxo para verde. Os fagócitos estão degradando a hemoglobina, principal molécula de uma hemácia, em biliverdina. A biliverdina, como você pode reparar pelo nome, é verde e ela é como a molécula de hemoglobina, mas sem o grupo heme (ferro) que é responsável por fazer a ligação com o oxigênio no nosso corpo.
Do verde, o machucado passa para tons alaranjados e amarelos. Isto acontece porque os fagócitos continuam trabalhando e degradando a biliverdina em bilirrubina. Isto acontece de forma muito rápida. A bilirrubina é o que deixa a cor das fezes do jeito que elas são, por exemplo.
Como você deve ter reparado estas moléculas tem um nome bem conhecido: "bili". E deve ser isto mesmo que você está pensando. Todo este processo é integrado com uma importante função do fígado que é destruir as hemácias mortas, já que dentre as células do corpo, elas são um dos tipos que tem uma vida relativamente curta (3 meses). Tudo está integrado pelo Sistema Porta hepático (retorno venoso do sangue) e as excreções deste processo saírão nas fezes.

Pelos para que te quero!!!

Os pelos púbicos e das axilas, o famoso “sovaco”, são importantes. Se não fosse assim, porque eles nasceriam especificamente nestes lugares, não é mesmo? Primeiro, estes pelos são ligeiramente diferentes dos outros que temos espalhados pelo corpo. Eles crescem de forma diferente entre meninos e meninas por causa dos hormônios produzidos durante a puberdade. Entre as meninas acontece entre 8 e 14 anos. Já entre os meninos, 10 e 15.
Mas porque estes pelos aparecem nesta idade e especificamente embaixo dos braços e entre as pernas? A resposta ainda não é precisa, mas a mais aceita atualmente é que está relacionada com as glândulas de suor.
Existem dois tipos de glândulas sudoríparas. As écrinas e apócrinas. As glândulas écrinas estão espalhadas por toda a pele e secretam apenas o suor com uma composição basicamente feita de água e alguns sais minerais. A função deste suor é controlar a temperatura corporal. Por outro lado, as glândulas apócrinas, que são encontradas de forma abundante nas axilas e na região púbica, secretam além de água, substâncias mais consistentes e gordurosas. O que os cientistas acreditam é que os pelos crescem por causa desta secreção.
Como estas moléculas mais gordurosas são secretadas durante a puberdade, isto explicaria o crescimento destes pelos. Faz sentido, já que os pelos pubianos e das axilas são diferentes dos fios de cabelo, como já citamos no começo. Eles são mais encaracolados, por causa do folículo mais estreito, e crescem por menos tempo. Enquanto o fio de cabelo tem um tempo de vida máximo de 7 anos, os pelos pubianos e das axilas cresce por apenas 6 meses e depois caem.
As glândulas nestas regiões são conhecidas como glândulas de odor. Estas moléculas orgânicas secretadas são fonte de alimento para bactérias que vivem sobre a nossa pele e a digestão provocada por estes microrganismos é o que causa o cheiro característicos destas partes do nosso corpo. Os pelos acabam fornecendo o ambiente para o crescimento destas bactérias.
Depilar ou não depilar?
Quando falo em depilar, digo: tirar todos os pelos, não apenas aquela aparada na mata... E seja por qual método for: raspar com lâmina, retirar com cera ou a laser. Devemos lembrar que estes pelos fazem parte de uma proteção natural, uma resposta fisiológica que acontece em todos indivíduos normais da nossa espécie. Lógico, alguns têm mais pelos do que outros. Mas todos têm pelos.
Os pelos servem para diminuir a fricção existente no contato de pele com pele. E não estou falando de sexo, mas de uma coisa mais simples como andar. Os pelos diminuem as assaduras nas virilhas.
Outra boa função é criar uma barreira contra as bactérias. Pensar que tirar os pelos vai deixar o local mais limpo é ingênuo. As bactérias estão por toda a parte e ter pelos previne que elas tenham contato direto com a pele, o que seria a última barreira para entrar em nossos corpos.
Um dos benefícios encontrado na depilação é evitar pequenos parasitas, os piolhos-da-púbis, popularmente conhecidos como chatos. Porém, o aparecimento destes parasitas é tão raro na população, que muitas depilações são desnecessárias se for levar em consideração este argumento.
Para finalizar, uma ideia. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos comparou ensaios fotográficos em revistas e filmes pornográficos e constataram que houve uma mudança no padrão estético destas produções. O que parece um contrassenso, já que os pelos ajudam a espalhar mais facilmente as moléculas de cheiro conhecidas como feromônios, cujos estudos indicam ter papel relevante nas relações sexuais.

O doping de Anderson ‘Spider’ Silva

A notícia chocou os fãs das artes marciais. O grande lutador brasileiro, Anderson Silva, na sua volta às lutas acabou sendo flagrado no exame antidoping. O teste acusou o uso de esteroides anabolizantes. Anderson admite que houve algum erro no teste e que nunca faria uso de substâncias que lhe garantissem um melhor desempenho. Agora ele espera que seja o feito da contraprova, uma outra amostra do lutador está no laboratório que faz os testes para a categoria nos Estados Unidos.
A urina de Anderson Silva acusou a presença de drostanolona e androsterona. As duas substâncias são metabólitos secundários de tratamentos com os chamados esteroides androgênicos anabólicos. São substâncias que simulam os efeitos da testosterona.
Nos esportes, o uso de anabolizantes foi utilizado pela primeira vez para melhorar o desempenho em competições de levantamento de peso. Com a Guerra Fria, as superpotências mundiais disputavam nos esportes a hegemonia e o uso de esteroides se generalizou por diversos esportes. Somente na década de 80 que as autoridades desportivas começaram a punir atletas que se utilizavam da dopagem através destas substâncias.
Esta classe de substâncias estão diretamente relacionadas à puberdade em indivíduos do sexo masculino. Porém, são produzidas durante toda a vida e também em pequenas quantidades em mulheres.
Estes esteroides têm um efeito direto em regiões do DNA para síntese de proteínas que formam os músculos (miogênese). Outro efeito está na formação das características masculinas no organismo. E ainda atua como pró-hormônio, funcionando como precursor de estrogênio, envolvido diretamente no desenvolvimento ósseo. Como sabemos, a testosterona é produzida naturalmente pelo corpo, nos órgãos sexuais (testículos e ovários).
A natureza química das moléculas de esteroide (lipídeo) fazem com que elas passem facilmente pela membrana plasmática e também pela carioteca chegando diretamente no seu alvo que é o DNA. Por isso a ação destas substâncias tem um efeito rápido quando administradas aos pacientes, dependendo é claro do tipo de esteroide usado.
A descoberta dos efeitos dos esteroides androgênicos tem uma história anedótica. Dizem que o médico Charles-Édouard Brown-Séquard soube de um amigo que havia testado em si mesmo o extrato de testículos. Este colega aplicou o extrato no dedo e observou o aumento da força muscular do membro.
Atualmente, utilizam-se de esteroides anabolizantes tratamentos médicos regulares, principalmente entre pacientes com anorexia e idosos para a recuperação da massa muscular perdida em excesso.  Diferente do uso para desempenho atlético, estas dosagens são muito menores e cujos efeitos colaterais também diminuem.
Existem muitos mitos sobre estes efeitos colaterais. O principal dele é de que o pênis diminui. Não é bem o pênis que diminui, mas o uso contínuo e exagerado pode levar a uma atrofia dos testículos. Outra lenda é sobre a agressividade de quem toma este tipo de medicamento. Testes mostraram que não existe nenhuma relação entre as duas coisas.
O maior problema do uso de anabolizantes é entre os jovens que querem ficar “bombadões”. Sem nenhum acompanhamento sério e especializado, eles tomam doses exageradas e muitas vezes são enganados por quem vende as substâncias. Nem sempre o que se oferece nos vestiários de academias são esteroides anabolizantes seguros para o uso humano e que podem causar sérios problemas de saúde, podendo até levar esta pessoa à morte.

Todos os homens ja foram mulheres!!!

Parece meio confuso este título, não é? Mas vamos aprender um pouco sobre o desenvolvimento embrionário para sacar o porquê dele. Na verdade, fenotipicamente, ou seja, em relação à aparência dos indivíduos, todos os humanos começam sua vida uterina com gêneros sexuais neutros. A aparência externa das genitálias só aparecerá depois de algumas semanas de gestação.
Como vocês já sabem, dentro das nossas células nós temos 23 pares de cromossomos. Vinte dois destes pares são chamados de cromossomos autossômicos, enquanto o par restante é de cromossomos sexuais. Homens apresentam dois cromossomos diferentes (X e Y) e as mulheres dois cromossomos do mesmo tipo (dois cromossomos X).
Ok, geneticamente, nós homens somos concebidos com os cromossomos X e Y, porém, durante o início da gestação, o cromossomo Y permanece inativo.
Somente o cromossomo X estará ativo nas primeiras seis semanas de desenvolvimento do embrião. Este cromossomo é o que determinará as características físicas de uma mulher até o nascimento do bebê. Após as primeiras seis semanas, nos homens, o cromossomo Y é ativado. E o que o cromossomo Y muda no desenvolvimento do ser humano?
O cromossomo Y inclui um gene chamado de SRY. Este gene tem duas funções. Uma é inibir o funcionamento de alguns genes do cromossomo X, a outra é impor a dominância do cromossomo Y sobre o cromossomo X para que as características masculinas se desenvolvam.
As “gônadas” se deslocam do seu lugar e acabam se transformando em testículos que acabam sendo envolvidos pelo tecido que formaria nas mulheres os lábios vaginais, formando o saco escrotal e pênis. Você, garotão, que gosta de ficar se vendo no espelho pode reparar que bem no centro do saco escrotal é formada uma linha. Esta é a linha da junção dos lábios vaginais que acontecem nesta fase do desenvolvimento embrionário. A linha recebe um nome específico, chamada de rafe escrotal.
A pele do escroto e do pênis é fechada como um zíper e conforme este fechamento vai sendo finalizado, chega ao ponto de uma estrutura especial, que nas mulheres é o clitóris. O clitóris corresponde no homem à glande ou a “cabeça” do pênis.
Outra coisa interessante deste desenvolvimento é que os mamilos são formados nos embriões antes da ativação do cromossomo Y. Por isto homens têm mamilos, mas não desenvolvem seios porque o cromossomo Y inibe a formação dos seios durante a puberdade.
Se por acaso o gene SRY não for ativado durante o desenvolvimento embrionário, teremos uma pessoa geneticamente do sexo masculino, porém com características sexuais e corporais femininas. Do mesmo jeito, o gene SRY pode ser inserido no cromossomo X durante o crossing-over e assim teremos um indivíduo geneticamente feminino (XX), porém com características masculinas.

Fetus in fetu - caso raríssimo!!!!

Um bebe de três meses em Hong Kong teve dois fetos removidos no interior de seu organismo. De inicio achavam que eram tumores, mas através de exames de ressonância magnética demonstraram partes da coluna vertebral e tecido ósseo de outros fetos.

 

Na medicina existem duas explicações para o fenômeno Fetus in fetu ocorrer:

Uma delas se refere ao termo “gêmeos parasitas”. Durante o desenvolvimento embrionário, um único óvulo fecundado pode se dividir o que leva à gravidez de gêmeos idênticos, os univitelínicos. Neste caso, esta teoria exploca que um dos embriões se desenvolve e engloba os outros que dividem a mesma placenta. O feto que fica englobado não desenvolve alguns órgãos e assim que nascem, acabam morrendo



Outros médicos acreditam que este tipo de situação corresponde a um teratoma, uma forma de tumor que pode surgir tanto em crianças e adolescentes, como em adultos. Este tumor é derivado de células primordiais das gônadas (ovários e testículos) e são causadores de cistos nestes órgãos.
Estas células são plutipotentes, ou seja, tem a capacidade de se tornar  uma variedade de outras células ao se desenvolverem. Elas podem se deslocar e crescerem principalmente na região do abdômen. O tecido formado pode conter cabelo ou pelos, além de tecido epitelial e células correspondentes aos folhetos embrionários.
Em recém nascidos, estas células podem se diferenciar mais do que em adultos. Por isso estes tumores apresentam partes do corpo como se fossem de fetos dentro do corpo destes bebês.
Os nascimentos iguais ao acontecido em Hong Kong são raros, após a extração dos fetos abortados, é possível estudar o comportamento destas células e as origens de tal defeito no desenvolvimento.