terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Curiango - linda ave noturna

O curiango dorme numa confortável cama de folhas secas. Foto: Adilson Borges
Não são só morcegos e corujas que povoam os céus das matas brasileiras à noite. Nas bordas de florestas, nas capoeiras abertas, nos cerrados, nos capões, vive o curiango-comum (Nyctidromus albicollis), uma ave tão ubíqua que não só parece estar em todo lugar, como também parece ter ganho todos os nomes: curiango, ju-jau, amanhã-eu-vou (em Minas Gerais), ibijau, mede-léguas, acurana e a-ku-kú (no Mato Grosso), coriavo, engole-vento (Pernambuco), joão-corta-pau e mariangu. Notívago, é um exímio caçador de insetos - que devora aos montes enquanto voa com o bico aberto -, atividade que o ocupa até o amanhecer.

Durante o dia, é muito difícil visualizá-lo. Se espantado, voa curtas distâncias e logo volta a sumir em meio à vegetação rasteira. Procurado, se camuflar nas folhagens do chão da mata. Seus ninhos são colocados diretamente no solo, para manter esta camuflagem. E, neles, tudo contribui para esta "invisibilidade": a fêmea põe 2 ovos amarelo-avermelhados manchados de marrom. Os filhotes também possuem uma coloração muito semelhante à da folhagem seca. E quando os pais abandonam o ninho, repetindo instintivamente a lição dos mais velhos, ficam completamente imóveis.

O curiango mede cerca de 30 centímetros de comprimento. Em vôo, o macho apresenta uma larga faixa nas asas e os lados da cauda brancos. A fêmea possui uma estreita faixa amarelada nas asas e somente a ponta da cauda branca. O casal se reveza nos cuidados da prole.

Como toda criatura noturna que se preze, o curiango é envolto em folclore. Luís da Câmara Cascudo, historiador, antropólogo e pesquisador da cultura brasileira, na sua obra, o Dicionário do Folclore Brasileiro (1952), conta o uso do curiango como amuleto: as penas de suas asas curam dor de dente e outras dores; se colocadas entre a manta e sela, fazem com que o cavalo não caia nem que salta rio cheio. Segundo o autor, por passar a noite pelos caminhos, com olhos acesos, contando as léguas, ganhou o nome popular de mede-léguas. "É dizendo e bacurau escrevendo", é expressão que indica a uma verdade sem sombra de dúvidas.

A espécie está bem distribuída e abundante desde o Sul do México até o Nordeste da Argentina. Não apresenta risco de extinção, merecendo uma classificação de Pouco Preocupante (Least Concern) junto à lista vermelha do IUCN. Felizmente, ao que parece, o curiango-comum vai continuar comum por muito tempo.

fonte - oeco notícias

Planeta perdeu 50% das áreas úmidas no século XX


O novo Relatório da iniciativa Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade (TEEB, na sigla em inglês) apresenta um prognóstico negativo sobre as áreas úmidas, áreas de transição entre os ecossistemas aquáticos e terrestres, como pântanos, lagos, manguezais, áreas irrigadas, entre outros. De acordo com esse relatório, cerca de 50% de todos os ecossistemas que formam as áreas úmidas foram destruídos pela expansão da ocupação humana ao longo do século XX.

A maior parte das perdas aconteceu entre as décadas de 50 e 80, de maneira diferente em cada parte do mundo. A Europa teve a perda mais significativa: entre 55-67% das suas áreas úmidas desapareceram no século passado.

“Não obstante o grande valor do ecossistema serviços que prestam à humanidade, zonas húmidas continuam a ser degradadas ou perdidas, devido aos efeitos de produção agrícola intensiva, irrigação, extração para uso doméstico e industrial, urbanização, infraestrutura e poluição”, afirma o documento do TEEB.

Criado em 2007, iniciativa Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade (TEEB) é uma iniciativa elaborada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), para desenvolver uma análise global sobre o impacto econômico gerado pelas perdas da biodiversidade.

O relatório foi apresentado no último sábado, dia 2 de fevereiro, data em que se comemora o Dia Mundial das Zonas Úmidas, instituída em 1997 para homenagear a Convenção sobre Zonas Úmidas, mais conhecida como Convenção de Ramsar, pois foi realizada na cidade iraniana, em 1971.

A Convenção é um tratado intergovernamental que estabelece marcos para ações nacionais e internacionais para a conservação e o uso racional de zonas úmidas e de seus recursos naturais.

Em 2012, dos 127 países signatários da Convenção de Ramsar, 28% indicaram que houve piora no estado das zonas úmidas. Apenas 19% desse total de 127 países apresentaram bons resultados em relação à preservação desses ecossistemas.

O relatório enfatiza o fato que as zonas úmidas são cruciais na manutenção do ciclo da água que, por sua vez, sustenta todos os serviços dos ecossistemas. A questão da disponibilidade da água é tão importante que a Organização das Nações Unidas declarou que 2013 é o Ano Internacional da Cooperação pela Água.

De acordo com dados da Convenção de Ramsar e da Unesco, atualmente, 884 milhões de pessoas (12% da população mundial) vivem sem água potável e 2,5 bilhões (dois quintos da população) não têm acesso ao saneamento básico. A maior consumidora de água é a agricultura, que utiliza 70% da água doce consumida por ano no mundo.

fonte - oeco notícias

Elefantes rumo a extinção, graças ao homem !

Mais de 10 mil elefantes foram mortos por caçadores ilegais no Gabão, desde 2004. Foto: Martin Harvey / WWF-Canon.
A caça ilegal está dizimando os elefantes que vivem em florestas na África Central. Desde 2004, cerca de 11 mil animais foram abatidos nas regiões próximas e até mesmo dentro do Parque Nacional Minkébé, no norte do Gabão, segundo um estudo divulgado esta semana pela Agência de Parques Nacionais do Gabão, WWF e Wildlife Conservation Society (WCS). Segundo os dados, entre 44% e 77% da população de elefantes da região foi abatida nos últimos nove anos.

“A situação está fora de controle”, afirma Bas Huijbregts, responsável pela campanha contra o tráfico de animais do WWF na África Central. “Nós estamos testemunhando o sacrifício sistemático do maior mamífero terrestre do mundo”, completa. O Gabão representa 13% das florestas da África Central, mas abriga mais da metade dos elefantes que vivem em áreas florestais de todo o continente. Metade dos elefantes do país vivem no Parque Nacional Minkébé.

Marfins apreendidos são incinerados para evitar que cheguem ao mercado ilegal. Foto: James Morgan/ WWF-Canon.
De acordo com ele, há uma impressão errada de que a matança de elefantes para extração do marfim estaria se deslocando para outras partes do continente. Na verdade, afirma Huijbregts, é que a guerra do marfim está se espalhando e chegando a áreas onde os elefantes antes estavam mais bem protegidos. “Mas aqui na África Central, sem notícias no mundo, elefantes estão perdendo a guerra em uma velocidade relâmpago”.

A situação é grave também na República Centro-Africana, onde viviam mais de 80 mil elefantes em meados da década 1980. Caçadores ilegais atuam no país, exterminado elefantes e aterrorizando populações por onde passam. Autoridades do país receberam recentemente relatos da morte de 17 elefantes no sul do país e informações ainda não confirmada de 60 animais abatidos no norte da República Centro-Africana. “O novo governo da República Central da África está enviando as Forças Armadas para frear os caçadores ilegais antes que eles atinjam o último refúgio de elefantes, Dzanga-Sangha, declarado recentemente Patrimônio da Humanidade”, afirma Guian Zokoe, responsável pela reserva de Dzanga-Sangha.

Acampamento de uma patrulha de combate à caça, em uma área de concessão fora dos limites do Parque Nacional Minkébé. Foto: James Morga/WWF Canon.
Os países da região tem envolvido às forças armadas e recrutado mais guardas florestais para combater a caça ilegal de elefantes, mas os esforços não têm sido suficientes. Para Huijbregts é necessário acabar também com a demanda por marfim dos países da Ásia Oriental, principalmente Tailândia.

Uma campanha internacional arrecada assinaturas para proibir o comércio de marfim. Clique aqui para saber mais

fonte - oeco notícias