terça-feira, 29 de abril de 2014
domingo, 27 de abril de 2014
Estudo sobre picada da jararaca ajuda a entender mecanismos da hemorragia
25/04/2014
Por Fabio Reynol

Lesão provocada no local de inoculação do veneno pode estimular liberação de proteína que desempenha papel fundamental na coagulação sanguínea (foto: divulgação):
Agência FAPESP – Há muito se sabe que o envenenamento provocado por serpentes como a jararaca (Bothrops jararaca) pode causar danos aos tecidos ao redor do local da picada e estimular um quadro de hemorragia. Entender as causas desses efeitos, a sua etiologia, no entanto, é um desafio complexo.
É o que conta o médico veterinário Marcelo Larami Santoro, pesquisador do Instituto Butantan, em São Paulo, que conduziu o projeto “Importância da lesão local induzida por metaloproteinases de venenos ofídicos na indução de plaquetopenia em envenenamentos” de 2011 a 2013 com o apoio FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa - Regular.
“Na maioria das ocorrências, o soro antiofídico é eficaz para tratar as picadas de jararaca; em casos mais graves, porém, pode ocorrer uma hemorragia muito intensa que deve receber tratamento específico”, disse o pesquisador.
Para entender como o veneno da jararaca afeta o sistema de coagulação e as plaquetas (células que ajudam a controlar a perda de sangue), foram feitos experimentos em ratos utilizando duas vias de inoculação, a subcutânea e a intravenosa. Com isso, procurou-se verificar a importância da lesão local na indução da plaquetopenia (redução da contagem de plaquetas no sangue) e das alterações do sistema de coagulação.
O estudo também testou a importância das duas principais classes de toxinas presentes no veneno, as metaloproteinases e as serinaproteinases; para isso, o veneno da jararaca foi incubado, antes de ser injetado nos animais, com inibidores apropriados. O objetivo da incubação do veneno é promover a inibição de determinadas enzimas. Como já se sabe, ambas as classes apresentam atividade anti-hemostática, ou seja, impedem a detenção da perda sanguínea, reação que ocorre quando o organismo tenta inibir uma hemorragia.
De acordo com os resultados, as duas classes de toxinas não estão diretamente envolvidas na origem da plaquetopenia induzida pelo veneno da jararaca, o que suscitou a conclusão de que outros mecanismos ou toxinas do veneno devam ser responsáveis pela redução das plaquetas. No entanto, as metaloproteinases do veneno se mostram essenciais para o desenvolvimento dos distúrbios da coagulação. Essa evidência contesta uma opinião difundida ao longo dos anos entre médicos e cientistas, de que as serinaproteinases são as toxinas mais importantes para o consumo do fibrinogênio, proteína envolvida no processo de coagulação sanguínea e cuja diminuição no sangue favorece o quadro hemorrágico decorrente da picada da jararaca.
Outro dado importante levantando foi que a lesão provocada no local da inoculação do veneno pode estimular a liberação de fator tissular na circulação sanguínea. Conhecido também como tromboplastina, o fator tissular é uma substância presente em tecidos, monócitos e plaquetas que desempenha um papel fundamental na coagulação sanguínea.
“O aumento do fator tissular na circulação torna a ação do veneno mais potente, aumentando os danos nos tecidos ao favorecer a coagulopatia, que são distúrbios de coagulação”, acrescentou Santoro, ressaltando que o estudo da ação dos venenos ofídicos ao longo do século XX ajudou a ciência a descobrir os mecanismos da coagulação sanguínea.
O artigo Bothrops jararaca venom metalloproteinases are essential for coagulopathy and increase plasma tissue factor levels during envenomation, descrevendo todos esses resultados, será publicado na revista PLOS Neglected Tropical Diseases.
Parceria com Argentina
O projeto contou com a participação da pesquisadora María Elisa Peichotto, da Universidad Nacional del Nordeste (NDDE) da Argentina. O trabalho foi aprovado na chamada do acordo de cooperação científica assinado em 2010 entre a FAPESP e o Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas de la República Argentina (Conicet).
A pesquisadora argentina é a autora principal de um artigo científico desenvolvido durante o projeto, Inflammatory effects of patagonfibrase, a metalloproteinase fromPhilodryas patagoniensis (Patagonia Green Racer; Dipsadidae) venom, publicado no periódico Experimental Biology and Medicine.
A parceria com o país vizinho ainda colaborou para a realização da primeira Jornada “Investigación biomédica de animales venenosos de la selva paranaense”, realizada em maio de 2013 na cidade argentina de Puerto Iguaçu.
Outro fruto importante do projeto foi a pesquisa de mestrado “Patogênese dos distúrbios hemostáticos sistêmicos induzidos pelo veneno da serpente Bothrops jararaca”, da estudante Karine Miki Yamashita, apoiada por uma bolsa FAPESP.
Santoro pretende agora continuar a investigação sobre o fator tissular e os mecanismos envolvidos com ele. “Conhecendo-o melhor poderemos colaborar para combater a sua ação nos casos de envenenamento”, diz.
Células Milagrosas
Cientistas clonam células adultas e criam células-tronco embrionárias
Técnica foi aplicada por laboratório privado e financiada pela Coreia do Sul.
Método é considerado avanço para a medicina regenerativa.
Cientistas americanos conseguiram pela primeira vez clonar células adultas humanas para criar células-tronco embrionárias, cujo DNA corresponde ao do doador. Tal fato é considerado um grande avanço para a medicina regenerativa e o tratamento de doenças incuráveis.
Como parte do estudo, os pesquisadores usaram a técnica desenvolvida pelo Dr. Shoukhrat Mitalipov, o primeiro a criar em 2013 células-tronco embrionárias humanas a partir de células da pele. Mas para estes testes de clonagem foram utilizadas amostras de DNA de um bebê de oito meses.
A nova técnica, publicada na revista americana "Cell Stem Celle", foi conduzida pelo Advanced Cell Technology e financiada em parte pelo governo sul-coreano. A equipe liderada pelo Dr. Robert Lanza utilizou o núcleo das células da pele de dois homens de 35 e 75 anos, que foram transferidas para oócitos (óvulos imaturos) humanos de doadores, cujo núcleo havia sido retirado previamente.
Recuperação de órgãos danificados
Os oócitos geraram então embriões primitivos. Foi a partir destas células estaminais embrionárias que o DNA semelhante ao dos doadores foi produzido.
Os oócitos geraram então embriões primitivos. Foi a partir destas células estaminais embrionárias que o DNA semelhante ao dos doadores foi produzido.
"Até agora não havíamos sido capazes de clonar células adultas para criar células-tronco embrionárias", afirmaram os autores, cujo sistema tem a vantagem de não usar embriões fertilizados, uma técnica que gera dilemas éticos ou forte oposição da Igreja.
A comunidade científica tem depositado as suas esperanças na clonagem terapêutica, que poderia eventualmente substituir os órgãos danificados pelo câncer, cegueira ou Alzheimer.
Tecnologia do BEM
'Olho biônico' devolve visão parcial a portadores de doença degenerativa
Câmera ligada a células da retina permite que pacientes enxerguem.
Retinite pigmentosa faz perder a visão progressivamente.
Roger Pontz testa o 'olho biônico' em clínica no Kellogg Eye Center (Foto: AP)
Roger Pontz lentamente perdeu a visão devido a uma doença degenerativa do olho. Depois que ele foi diagnosticado com retinite pigmentosa como adolescente, Pontz ficou quase completamente cego.
Agora, graças a um procedimento de alta tecnologia que envolve a implantação cirúrgica de um “olho biônico", ele se recuperou o suficiente para ver com limitações sua esposa, neto e gato de estimação.
Equipamento estimula células da retina que aindafuncionam (Foto: AP)
"É maravilhoso . É emocionante ver algo novo a cada dia", disse Pontz durante uma entrevista recente no Kellogg Eye Center da Universidade de Michigan. Este centro médico na cidade de Ann Arbor, foi palco das únicas quatro cirurgias deste tipo aprovadas pela Administração para Drogas e Alimentos (FDA).
Retinite pigmentosa é uma doença hereditária que provoca queda lenta e progressiva da visão devido a uma perda progressiva das células sensíveis à luz chamadas bastonetes e cones, que ficam na retina .
Os pacientes têm perda da visão periférica , deixam de enxergar à noite e , em seguida, perdem a chamada visão de túnel , deixando-os quase cegos.
Nos Estados Unidos , nem todas as cerca de 100 mil pessoas que têm retinite pigmentosa podem se beneficiar de um olho biônico. Segundo estimativas, cerca de 10.000 pessoas têm uma visão muito limitada, disse o Dr. Brian Mech, executivo do fabricante do equipamento, a Second Sight Medical Products Inc. , localizada em Sylmar , na Califórnia. Deste número, 7.500 são candidatos a cirurgia.
O implante artificial no olho esquerdo de Pontz é parte de um sistema que inclui uma câmera de vídeo e um pequeno transmissor alojado em um par de óculos. As imagens da câmera são convertidas em impulsos elétricos transmitidos sem fios a uma rede de eletrodos colocados na superfície da retina.
Os impulsos estimulam as células saudáveis restantes na retina e transmitem o sinal para o nervo ótico. A informação visual , em seguida, viaja para o cérebro, onde é decodificada em padrões de luz que podem ser reconhecidos e interpretados, permitindo ao paciente recuperar alguma função visual.
Ao usar os óculos, que Pontz descreve como seus "olhos", ele pode identificar seu gato ou reconhecer que um flash de luz é o seu neto que vai rapidamente para a cozinha. Pontz diz que o olho biônico "mudou sua vida". “Posso andar pela casa com facilidade. Se isso é tudo que posso conseguir, é fabuloso.
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terça-feira, 18 de março de 2014
Estudo com formigas avalia recuperação da Mata Atlântica

Insetos são considerados biomarcadores da saúde de um ecossistema; análise em áreas anteriormente ocupadas por eucaliptos foi realizada por pesquisadores da UMC (foto: Silvia Sayuri Suguituru)
Por Ivonete Lucirio
Agência FAPESP – Uma forma de verificar a saúde de um ecossistema é avaliar a variedade de espécies que nele vivem. Pesquisadores da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) valeram-se dessa premissa ao quantificar espécies de formigas de serapilheira em uma região entre as Bacias Hidrográficas do Alto Tietê e do Rio Itatinga, na cidade de Mogi das Cruzes, na divisa com Bertioga (SP).
Serapilheira é uma camada que mistura fragmentos de folhas, galhos e outros materiais orgânicos em decomposição, que fica sobre o solo das matas, formando húmus. O material abriga um rico ecossistema, composto por uma grande variedade de artrópodes, fungos e bactérias. Muitas espécies de formigas que constroem ninhos no solo visitam a região da serapilheira para coletar alimentos.
Ao contrário de formigas generalistas – como é o caso da maioria encontrada em ambientes urbanos –, as que vivem na serapilheira são em geral mais especialistas. Na serapilheira de florestas sem a interferência do homem, ocorrem diversas interações ecológicas que possibilitam a existência de outros pequenos animais que servem de alimento para as formigas.
No caso do estudo “Estrutura das comunidades de formigas de serapilheira em cultivo extensivo da Eucalyptus grandis dunnil Maiden, em áreas de Mata Atlântica”, coordenado por Maria Santina de Castro Morini, da UMC, as formigas de serapilheira foram usadas como um marcador biológico para verificar a capacidade de recuperação de áreas uma vez cobertas por Mata Atlântica nativa.
Na região escolhida para a análise foram pesquisados três tipos de ambientes: áreas em que a Mata Atlântica foi retirada para a plantação de eucaliptos, ainda em atividade; áreas em que o plantio foi desativado entre 28 e 30 anos atrás por pressões conservacionistas ou dificuldade de manejo; e unidades de conservação (UC) com mata nativa.
Nas áreas nunca desmatadas, foi possível encontrar, por metro quadrado, cerca de 25 espécies de formigas de serapilheira – do total de mais de 200 existentes. Nas florestas de eucaliptos, por outro lado, o número não passou de cinco por metro quadrado. “Essa diferença se dá por vários fatores, mas principalmente porque as folhas de eucalipto se decompõem mais lentamente e têm altos teores de tanino, que é tóxico para muitos organismos que servem de alimento para as formigas”, disse Morini, professora do curso de Ciências Biológicas da UMC.
Já em regiões onde a plantação foi desativada há cerca de 30 anos e a Mata Atlântica voltou a ocupar espaço, a média encontrada foi de 18 espécies por metro quadrado – sinal de que a mata foi capaz de se recuperar, assim como a fauna da região. A pesquisadora escolheu estudar regiões em que a plantação estava desativada havia cerca de 30 anos - ehavia várias delas -, permitindo a obtenção de dados mais seguros (por serem coletados em mais de uma área).
Para fazer a contagem, Morini trabalhou de julho de 2010 a julho de 2013 especialmente na região da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê. Seu grupo de pesquisadores demarcava áreas de um metro quadrado de serapilheira – fosse em área de plantação de eucalipto, mata nativa ou plantação abandonada – e levava o material para o laboratório, onde as formigas eram contadas. Para cada área estudada foram retiradas seis amostras, totalizando 120 amostras de serapilheira.
Morini trabalhou em sintonia com um grupo de pesquisadores do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) durante a realização dos projetos “Riqueza e diversidade de Hymenoptera e Isoptera ao longo de um gradiente latitudinal de Mata Atlântica – a floresta pluvial do leste do Brasil” e “Biodiversity of Isoptera and Hymenoptera”, sob a coordenação dos professores Carlos Roberto Ferreira Brandão e Eliana Cancello. “Toda a metodologia que usei foi discutida para que os resultados pudessem ser comparados. Eu participava das reuniões para aprender o desenho amostral e as técnicas de coleta que seriam usadas no projeto deles e assim fazer no meu”, contou Morini.
Estudo sobre a microbiota
Em outro trabalho, intitulado “Diversidade de bactérias e de invertebrados e sua influência sobre a estrutura das comunidades de formigas de serapilheira em áreas de Mata Atlântica”, realizado também entre 2010 e 2013, a pesquisadora avaliou a diversidade de bactérias e de invertebrados e sua influência sobre a estrutura das comunidades de formigas.
A Mata Atlântica na região do Alto Tietê é protegida em áreas de barragens, unidades de conservação (UCs) e propriedades particulares. A pesquisa foi feita em fragmentos dessas áreas buscando avaliar o número de fungos e bactérias das amostras.
As áreas de floresta protegidas pelos órgãos públicos responsáveis pelas barragens e em propriedades particulares que valorizam o conservacionismo têm diversidade similar às UCs – indicando, segundo a pesquisadora, a importância dos fragmentos das barragens e das propriedades particulares para a proteção da biodiversidade da Mata Atlântica. “Minha pesquisa mostra que não apenas as UCs são importantes para o Alto Tietê, mas também as demais áreas; é preciso criar incentivos para que elas não sejam desflorestadas”, diz Morini.
A microbiota, por meio da decomposição do material orgânico, possibilita a existência de outros invertebrados (acarinas e colêmbolos, por exemplo) que servem de alimento para as formigas. É de se esperar que onde há mais microrganismos também existam mais espécies de formigas. A comprovação da hipótese, no entanto, ainda precisa ser feita.
“Ainda não podemos afirmar nada sobre a associação da microbiota e a riqueza de formigas. Esperamos fechar em breve o modelo que foi proposto no projeto”, disse Morini à Agência FAPESP.
Os resultados das duas pesquisas coordenadas por Morini devem ser publicados até o fim deste ano. “Por enquanto, estamos preparando um manuscrito para a Biological Conservation”, disse Morini.
Resultados parciais já renderam publicações como: Undecomposed twigs in the leaf litter as nest-building resources for ants (Hymenoptera: Formicidae) in areas of the Atlantic Forest in the southeastern region of Brazil, de Morini e outros, que pode ser lido na Psyche;Characterization of ant communities (Hymenoptera: Formicidae) in twigs in the leaf litter of the Atlantic Rainforest and eucalyptus trees in the southeast region of Brazil, de Morini e outros, que também está disponível na Psyche; e Occurrence and natural history of Myrmelachista Roger (Formicidae: Formicinae) in the Atlantic Forest of southeastern Brazil, de Morini e outros, publicado na Revista Chilena de Historia Natural.
Imagens
Durante suas pesquisas, Morini fotografou em laboratório e catalogou 235 espécies de formigas que vivem no Alto Tietê, no âmbito do projeto “Coleção biológica da fauna de formigas do Alto Tietê: organização de um acervo fotográfico”.
O resultado poderá ser visto em um catálogo com previsão de publicação para abril de 2014. Além das fotos, haverá textos contextualizando o ambiente em que essas formigas vivem, escritos por vários colaboradores, como Ramon Luciano de Melo, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), e Jacques Delabie, da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).
A publicação abordará as coleções biológicas e a conservação da biodiversidade. O catálogo está sendo organizado por Morini; Silvia Sayuri Suguituru, também da UMC; Rodrigo Feitosa, da Universidade Federal do Paraná (UFPR); e Rogério Rosa Silva, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi. “Quero mostrar para todos, não apenas para os estudiosos, que a formiga é bonita morfologicamente. Ela não é uma praga e ajuda a área de mata. Com essa conscientização, espero que a sociedade ajude a protegê-las também”, diz Morini.
Morini estuda as formigas de serapilheira há mais de uma década e parte das conclusões a que chegou por meio de outros projetos também está no livro Serra do Itapeti: aspectos históricos, sociais e naturalísticos (Canal 6 Editora), organizado por ela e por Vitor Fernandes Oliveira de Miranda, e lançado em 2012.
Os 1.500 exemplares da obra foram distribuídos gratuitamente a instituições de ensino do Alto Tietê e ONGs. Está disponível para download em www.canal6.com.br/site/download. O livro ajuda a fomentar novas discussões sobre o assunto. De acordo com a pesquisadora, os dados sobre biodiversidade que a obra traz estão sendo usados para a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra do Itapeti, na região de Mogi das Cruzes
Médicos esperam ter novo caso de bebê curado de HIV após nascimento

A virologista Deborah Persaud, da Johns Hopkins (Foto: AP Photo/Johns Hopkins Medicine)
Um novo caso de um bebê que nasceu com o vírus da Aids e pode ter sido curado por tratamento rápido - 4 horas após o nascimento – foi apresentado numa conferência em Boston, nos EUA.
A menina nasceu num subúrbio de Los Angeles em abril passado, um mês depois de pesquisadores anunciarem o primeiro caso similar conhecido, que ocorreu no Mississippi. Essa criança atualmente tem 3 anos e meio, e há dois está sem tratamento algum, e sem apresentar o HIV.
O caso levou os médicos em todo o mundo a repensar o quão rápido e se deve tratar crianças nascidas com HIV, e os médicos da Califórnia seguiram esse exemplo. O bebê de Los Angeles ainda está recebendo medicamentos, de modo que o estado de sua infecção não é tão claro. Uma série de testes sofisticados sugere que eliminou completamente o vírus, disse Deborah Persaud, médica da Universidade Johns Hopkins , que liderou o teste e também esteve envolvida no caso de Mississippi.
Os sinais do bebê são diferentes dos que os médicos veem em pacientes cujas infecções são meramente suprimidas por um tratamento bem sucedido, disse ela. "Não sabemos se está em remissão ... mas parece que sim", disse Yvonne Bryson, especialista em doenças infecciosas da Universidade da Califórnia, que também participou do tratamento do bebê.
Cautela
Os médicos são cautelosos sobre se a menina foi mesmo curada. Mas é, obviamente, a nossa esperança ", disse Bryson. A maioria das mães infectadas pelo HIV nos EUA começa a tomar medicamentos durante a gravidez, o que reduz muito as chances de passar o vírus para seus bebês.
Os médicos são cautelosos sobre se a menina foi mesmo curada. Mas é, obviamente, a nossa esperança ", disse Bryson. A maioria das mães infectadas pelo HIV nos EUA começa a tomar medicamentos durante a gravidez, o que reduz muito as chances de passar o vírus para seus bebês.
A mãe do bebê do Mississippi não recebeu nenhum cuidado pré-natal e sua condição de sorpositiva foi descoberta durante o parto. Os médicos começaram o tratamento da criança 30 horas após o nascimento, mesmo antes de os testes poderem determinar se ela estava infectada.
A mãe do bebê que nasceu em Los Angeles não estava tomando medicamentos para o HIV. Ela recebeu os remédios durante o trabalho de parto para tentar impedir a transmissão do vírus e o bebê passou a tomá-los algumas horas após o nascimento. Testes mais tarde confirmaram que a criança tinha sido infectada, mas não parece mais estar, quase um ano depois. Ela segue o tratamento no orfanato onde vive.
Bryson é uma das líderes de um estudo financiado pelo governo americano que pretende determinar se o tratamento precoce pode curar a infecção pelo HIV. Cerca de 60 bebês nos EUA e outros países terão tratamento muito agressivo com medicamentos, que vai ser suspenso se os testes durante um longo tempo, talvez dois anos, não indicarem infecção ativa. Depois elas serão seguidas de perto para acompanhamento da evolução da doença.
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