terça-feira, 18 de março de 2014

Estudo com formigas avalia recuperação da Mata Atlântica


Insetos são considerados biomarcadores da saúde de um ecossistema; análise em áreas anteriormente ocupadas por eucaliptos foi realizada por pesquisadores da UMC (foto: Silvia Sayuri Suguituru)
Por Ivonete Lucirio
Agência FAPESP – Uma forma de verificar a saúde de um ecossistema é avaliar a variedade de espécies que nele vivem. Pesquisadores da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) valeram-se dessa premissa ao quantificar espécies de formigas de serapilheira em uma região entre as Bacias Hidrográficas do Alto Tietê e do Rio Itatinga, na cidade de Mogi das Cruzes, na divisa com Bertioga (SP).
Serapilheira é uma camada que mistura fragmentos de folhas, galhos e outros materiais orgânicos em decomposição, que fica sobre o solo das matas, formando húmus. O material abriga um rico ecossistema, composto por uma grande variedade de artrópodes, fungos e bactérias. Muitas espécies de formigas que constroem ninhos no solo visitam a região da serapilheira para coletar alimentos.
Ao contrário de formigas generalistas – como é o caso da maioria encontrada em ambientes urbanos –, as que vivem na serapilheira são em geral mais especialistas. Na serapilheira de florestas sem a interferência do homem, ocorrem diversas interações ecológicas que possibilitam a existência de outros pequenos animais que servem de alimento para as formigas.
No caso do estudo “Estrutura das comunidades de formigas de serapilheira em cultivo extensivo da Eucalyptus grandis dunnil Maiden, em áreas de Mata Atlântica”, coordenado por Maria Santina de Castro Morini, da UMC, as formigas de serapilheira foram usadas como um marcador biológico para verificar a capacidade de recuperação de áreas uma vez cobertas por Mata Atlântica nativa.
Na região escolhida para a análise foram pesquisados três tipos de ambientes: áreas em que a Mata Atlântica foi retirada para a plantação de eucaliptos, ainda em atividade; áreas em que o plantio foi desativado entre 28 e 30 anos atrás por pressões conservacionistas ou dificuldade de manejo; e unidades de conservação (UC) com mata nativa.
Nas áreas nunca desmatadas, foi possível encontrar, por metro quadrado, cerca de 25 espécies de formigas de serapilheira – do total de mais de 200 existentes. Nas florestas de eucaliptos, por outro lado, o número não passou de cinco por metro quadrado. “Essa diferença se dá por vários fatores, mas principalmente porque as folhas de eucalipto se decompõem mais lentamente e têm altos teores de tanino, que é tóxico para muitos organismos que servem de alimento para as formigas”, disse Morini, professora do curso de Ciências Biológicas da UMC.
Já em regiões onde a plantação foi desativada há cerca de 30 anos e a Mata Atlântica voltou a ocupar espaço, a média encontrada foi de 18 espécies por metro quadrado – sinal de que a mata foi capaz de se recuperar, assim como a fauna da região. A pesquisadora escolheu estudar regiões em que a plantação estava desativada havia cerca de 30 anos - ehavia várias delas -, permitindo a obtenção de dados mais seguros (por serem coletados em mais de uma área).
Para fazer a contagem, Morini trabalhou de julho de 2010 a julho de 2013 especialmente na região da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê. Seu grupo de pesquisadores demarcava áreas de um metro quadrado de serapilheira – fosse em área de plantação de eucalipto, mata nativa ou plantação abandonada – e levava o material para o laboratório, onde as formigas eram contadas. Para cada área estudada foram retiradas seis amostras, totalizando 120 amostras de serapilheira.
Morini trabalhou em sintonia com um grupo de pesquisadores do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) durante a realização dos projetos “Riqueza e diversidade de Hymenoptera e Isoptera ao longo de um gradiente latitudinal de Mata Atlântica – a floresta pluvial do leste do Brasil” e “Biodiversity of Isoptera and Hymenoptera”, sob a coordenação dos professores Carlos Roberto Ferreira Brandão e Eliana Cancello. “Toda a metodologia que usei foi discutida para que os resultados pudessem ser comparados. Eu participava das reuniões para aprender o desenho amostral e as técnicas de coleta que seriam usadas no projeto deles e assim fazer no meu”, contou Morini.
Estudo sobre a microbiota
Em outro trabalho, intitulado “Diversidade de bactérias e de invertebrados e sua influência sobre a estrutura das comunidades de formigas de serapilheira em áreas de Mata Atlântica”, realizado também entre 2010 e 2013, a pesquisadora avaliou a diversidade de bactérias e de invertebrados e sua influência sobre a estrutura das comunidades de formigas.
A Mata Atlântica na região do Alto Tietê é protegida em áreas de barragens, unidades de conservação (UCs) e propriedades particulares. A pesquisa foi feita em fragmentos dessas áreas buscando avaliar o número de fungos e bactérias das amostras.
As áreas de floresta protegidas pelos órgãos públicos responsáveis pelas barragens e em propriedades particulares que valorizam o conservacionismo têm diversidade similar às UCs – indicando, segundo a pesquisadora, a importância dos fragmentos das barragens e das propriedades particulares para a proteção da biodiversidade da Mata Atlântica. “Minha pesquisa mostra que não apenas as UCs são importantes para o Alto Tietê, mas também as demais áreas; é preciso criar incentivos para que elas não sejam desflorestadas”, diz Morini.
A microbiota, por meio da decomposição do material orgânico, possibilita a existência de outros invertebrados (acarinas e colêmbolos, por exemplo) que servem de alimento para as formigas. É de se esperar que onde há mais microrganismos também existam mais espécies de formigas. A comprovação da hipótese, no entanto, ainda precisa ser feita.
“Ainda não podemos afirmar nada sobre a associação da microbiota e a riqueza de formigas. Esperamos fechar em breve o modelo que foi proposto no projeto”, disse Morini à Agência FAPESP.
Os resultados das duas pesquisas coordenadas por Morini devem ser publicados até o fim deste ano. “Por enquanto, estamos preparando um manuscrito para a Biological Conservation”, disse Morini.
Imagens
Durante suas pesquisas, Morini fotografou em laboratório e catalogou 235 espécies de formigas que vivem no Alto Tietê, no âmbito do projeto “Coleção biológica da fauna de formigas do Alto Tietê: organização de um acervo fotográfico”.
O resultado poderá ser visto em um catálogo com previsão de publicação para abril de 2014. Além das fotos, haverá textos contextualizando o ambiente em que essas formigas vivem, escritos por vários colaboradores, como Ramon Luciano de Melo, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), e Jacques Delabie, da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).
A publicação abordará as coleções biológicas e a conservação da biodiversidade. O catálogo está sendo organizado por Morini; Silvia Sayuri Suguituru, também da UMC; Rodrigo Feitosa, da Universidade Federal do Paraná (UFPR); e Rogério Rosa Silva, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi. “Quero mostrar para todos, não apenas para os estudiosos, que a formiga é bonita morfologicamente. Ela não é uma praga e ajuda a área de mata. Com essa conscientização, espero que a sociedade ajude a protegê-las também”, diz Morini.
Morini estuda as formigas de serapilheira há mais de uma década e parte das conclusões a que chegou por meio de outros projetos também está no livro Serra do Itapeti: aspectos históricos, sociais e naturalísticos (Canal 6 Editora), organizado por ela e por Vitor Fernandes Oliveira de Miranda, e lançado em 2012.
Os 1.500 exemplares da obra foram distribuídos gratuitamente a instituições de ensino do Alto Tietê e ONGs. Está disponível para download em www.canal6.com.br/site/download. O livro ajuda a fomentar novas discussões sobre o assunto. De acordo com a pesquisadora, os dados sobre biodiversidade que a obra traz estão sendo usados para a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra do Itapeti, na região de Mogi das Cruzes

Médicos esperam ter novo caso de bebê curado de HIV após nascimento

A virologista Deborah Persaud, da Johns Hopkins (Foto: AP Photo/Johns Hopkins Medicine)
A virologista Deborah Persaud, da Johns Hopkins (Foto: AP Photo/Johns Hopkins Medicine)


Um novo caso de um bebê que nasceu com o vírus da Aids e pode ter sido curado por  tratamento rápido - 4 horas após o nascimento – foi apresentado numa conferência em Boston, nos EUA.
A menina nasceu num subúrbio de Los Angeles em abril passado, um mês depois de pesquisadores anunciarem o primeiro caso similar conhecido, que ocorreu no Mississippi. Essa criança atualmente tem 3 anos e meio, e há dois está sem tratamento algum, e sem apresentar o HIV.
O caso levou os médicos em todo o mundo a repensar o quão rápido e se deve tratar crianças nascidas com HIV, e os médicos da Califórnia seguiram esse exemplo. O bebê de Los Angeles ainda está recebendo medicamentos, de modo que o estado de sua infecção não é tão claro. Uma série de testes sofisticados sugere que eliminou completamente o vírus, disse Deborah Persaud, médica da Universidade Johns Hopkins , que liderou o teste e também esteve envolvida no caso de Mississippi.
Os sinais do bebê são diferentes dos que os médicos veem em pacientes cujas infecções são meramente suprimidas por um tratamento bem sucedido, disse ela. "Não sabemos se está em remissão ... mas parece que sim", disse Yvonne Bryson, especialista em doenças infecciosas da Universidade da Califórnia, que também participou do tratamento do bebê.
Cautela
Os médicos são cautelosos sobre se a menina foi mesmo curada. Mas é, obviamente, a nossa esperança ", disse Bryson. A maioria das mães infectadas pelo HIV nos EUA começa a tomar medicamentos durante a gravidez, o que reduz muito as chances de passar o vírus para seus bebês.
A mãe do bebê do Mississippi não recebeu nenhum cuidado pré-natal e sua condição de sorpositiva foi descoberta durante o parto. Os médicos começaram o tratamento da criança 30 horas após o nascimento, mesmo antes de os testes poderem determinar se ela estava infectada.
A mãe do bebê que nasceu em Los Angeles não estava tomando medicamentos para o HIV. Ela recebeu os remédios durante o trabalho de parto para tentar impedir a transmissão do vírus e o bebê passou a tomá-los algumas horas após o nascimento. Testes mais tarde confirmaram que a criança tinha sido infectada, mas não parece mais estar, quase um ano depois. Ela segue o tratamento no orfanato onde vive.
Bryson é uma das líderes de um estudo financiado pelo governo americano que pretende determinar se o tratamento precoce pode curar a infecção pelo HIV. Cerca de 60 bebês nos EUA e outros países terão tratamento muito agressivo com medicamentos, que vai ser suspenso se os testes durante um longo tempo, talvez dois anos, não indicarem infecção ativa. Depois elas serão seguidas de perto para acompanhamento da evolução da doença.

História Incrível - EMOCIONANTE


Números do corpo humano


Unhas
As unhas das mãos crescem um centímetro em 28 dias. Elas crescem mais rápido do que as unhas do pé (4 vezes mais). Durante uma vida, uma pessoa corta mais de 50 metros de unha. A unha é feita de proteína, a queratina, mesma do cabelo e que recobre a pele.
Cabelo
Uma pessoa não calva tem de 120 a 150 mil fios de cabelo. Os fios são substituídos a cada três anos, sendo que um novo nasce no mesmo poro. Em um ano, os cabelos crescem 20 centímetros em média.
Estômago
O alimento demora pouco tempo para sair da boca e chegar no estômago, mais ou menos 8 segundos. Depois que chega no estômago, o bolo alimentar é digerido durante 4 horas com o suco gástrico ácido.
Nariz
Existem pessoas no mundo que conseguem identificar até 6.850 cheiros diferentes.
Olhos
Para registrar uma imagem, os olhos precisam de um décimo de segundo. Por isso os vídeos são gravados em 24 quadro por segundo (2,4 vezes mais rápido que a capacidade do olho). Isto cria a ilusão de que a imagem está em movimento.
Pele
Você já deve saber que a pele é o maior órgão humano. Toda a sua pele é considerado um único órgão e um homem adulto pode ter até 2mde área de superfície. Além disso, suas células estão em constante renovação. A cada dia perdemos um grama de células da pele.
Pulmões
Em um minuto, uma pessoa inspira 6 litros de ar. Isto tudo porque os dois pulmões têm 300 milhões de alvéolos. O oxigênio atravessa a superfície dos alvéolos e chega na corrente sanguínea. A área da superfície é muito importante, se você esticasse todos os alelos no chão, eles cobririam uma quadra de tênis.
Saliva
Por dia produzimos entre 1,5 e 2 litros de saliva. Ela serve para ajudar na deglutição e também apresenta enzimas que preparam o alimento para ser digerido no estômago. Quando cuspimos, o disparo sair a 170 km/h.
Sangue
Na rodovia dos vasos, o sangue percorre o corpo levando oxigênio e nutrientes e retirando "lixo" celular. Pelos 200 mil quilômetros de artérias e veias correm 4 litros de sangue. A velocidade do sangue nos vasos é de 2 km/h em condições normais de pressão. 

domingo, 9 de março de 2014

Vírus gigantes renasce na tundra siberiana

Imagem de microscópio mostra o vírus dentro de uma célula de ameba. Crédito: IGS, CNRS-AMU, Julia Bartoli, Chantal Abergel
Um vírus gigante dormente há 30.000 anos na tundra congelada da Sibéria voltou a atividade, provocando receios de que as perfurações de petróleo e a mineração mais intensas em latitudes que vêm se aquecendo rapidamente despertem micróbios que um dia poderão ser nocivos ao homem.
O organismo, descrito na edição online da revista científica PNAS, parece pertencer a uma nova família de megavírus que contaminam apenas amebas. Mas seu ressurgimento num laboratório é "uma prova do princípio segundo o qual podemos ressuscitar vírus infecciosos ativos de diferentes períodos", afirmou o autor do estudo, o microbiólogo Jean-Michel Claverie, da Universidade de Aix-Marseille, na França.
"Sabemos que esses vírus não perigosos estão vivos ali (no permafrost – solo permanentemente congelado), o que nos diz que provavelmente tipos perigosos, que podem infectar humanos e animais e que achávamos que haviam desaparecido da superfície da Terra, na verdade estão presentes, e provavelmente viáveis, no solo", disse Cleverie.
Com o aquecimento global tornando regiões ao norte mais acessíveis, a chance de despertarmos patógenos humanos dormentes aumenta, concluíram os pesquisadores. As temperaturas médias de superfície na área que contém o vírus encontrado aumentaram mais drasticamente do que em latitudes mais temperadas, observaram os pesquisadores.
"As pessoas chegarão e se estabelecerão ali, começarão a perfurar o solo e trabalhar com mineração", disse Cleverie. "As atividades humanas perturbarão camadas de terra dormentes há três milhões de anos e que podem conter vírus."
Chantal Abergel, que trabalhou com Cleverie no estudo, ponderou que, por enquanto, as conclusões estão limitadas a um vírus inócuo que infecta amebas. "Ainda não podemos dizer claramente que existem alguns patógenos humanos lá", afirmou. Segundo Abergel, o grupo vai reexaminar amostras de perfurações "para saber se existe algo perigoso para humanos e animais".
Vírus gigante. Chamado de Pithovirus sibericum, o novo organismo pertence a uma nova família de grandes vírus descoberta há dez anos. Eles são tão grandes que, diferentemente de outros vírus, podem ser vistos ao microscópio. Este, que mede 1,5 micrômetro de comprimento e 0,5 de diâmetro, é o maior já encontrado.
Minha opinião - O que mais me intriga é que esses seres diferenciados possuem em torno de 2500 genes, sendo que um vírus comum apresenta no máximo 15 genes....portanto é bem provável que esses tipos de vírus sejam uma evolução estrutural e gênica que estava dormente...será que agora eles serão incluídos na lista dos seres vivos?   

Descoberta evolução e mutações de bactérias no intestino


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Investigadores do Instituto Gulbenkian Ciência (IGC) descobriram pela primeira vez a evolução e as diferentes mutações que sofre a bactéria E. coli no intestino, abrindo portas a novas estratégias de combate às doenças, foi ontem divulgado. 

O trabalho levado a cabo por três grupos de investigação do IGC, liderados pela investigadora Isabel Gordo, é publicado na última edição da revista científica PLoS Genetics.

A investigação partiu do conhecimento de que o intestino humano aloja um número de bactérias cerca de cem vezes superior ao número de células do corpo, que pertencem a milhares de espécies, interagem entre si e são fundamentais para a saúde, mas permanece desconhecido o ritmo a que cada espécie evolui.

Para os cientistas é claro que os desequilíbrios entre os milhares de espécies existentes podem resultar em doença, mas as transformações de cada espécie podem contribuir para que uma dada espécie inócua se torne prejudicial para o hospedeiro. 

As três equipas do IGC juntaram então esforços para desvendar pela primeira vez de que forma a bactéria Escherichia coli (E. coli) se adapta e evolui no intestino do rato.

Os investigadores mostraram que rapidamente surgem E. coli com diferentes mutações e, consequentemente, uma grande variação genética é gerada ao longo do tempo nesta espécie.