domingo, 31 de março de 2013

Reciclagem de produtos eletrônicos pode virar realidade

 

Rio de Janeiro – Notebooks, celulares e eletrodomésticos como geladeiras que não funcionam mais ou ficam obsoletos e são substituídos por modelos mais eficientes têm destino incerto.  Não é fácil “jogar fora” esses aparelhos, embora já existam fabricantes que se responsabilizam por recolher seus produtos velhos. Entretanto, a partir do ano que vem, a regra endurece: será obrigatória a destinação correta de aparelhos eletrônicos.

A chamada Logística Reversa está prevista no artigo 33 do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) –Lei 12.305/2010 –, que prevê as responsabilidades do consumidor em devolver os produtos no final de sua vida útil, como também a responsabilidade do comércio em receber os aparelhos e dos fabricantes e importadores a dar a destinação ambientalmente adequada.

Em 5 anos, autoridades do Ministério do Meio Ambiente e especialistas na área argumentam que será possível não apenas implantar o sistema da logística reversa no Brasil, como também já observaremos resultados práticos. 

“Sim, é possível implantarmos a logística reversa no Brasil e, em quatro ou cinco anos, recolher 17% das mercadorias em circulação em todos os municípios brasileiros com, no mínimo, 80 mil habitantes. Parece pouco, mas é uma quantidade razoável”, disse Zilda Faria Veloso, Gerente da Área de Resíduos Perigosos do Ministério do Meio Ambiente, responsável pela fase atual de “compatibilizar” e negociar as propostas para ver o que é viável.

Em 2012, o Ministério do Meio Ambiente experimentou a resistência dos fabricantes: Foram pelo menos 15 encontros e com representantes de fabricantes, associações, importadores, pessoas do comércio e governo. As primeiras reuniões foram difíceis, relembra Veloso. A logística precisa articular diversos atores desde pontos de recolhimento, transporte, tratamento, reuso, reciclagem e descarte.

Segundo Veloso, “as empresas terão que apresentar uma campanha educativa além de plano de comunicação para a sociedade. Temos boas expectativas em relação à adesão da população para entregar os produtos em pontos de recolhimento. Um bom indicativo foi a resposta positiva que o brasileiro deu nas campanhas de redução do uso de sacolas plásticas nos supermercados”.

Os empresários veem como ambiciosa a meta de 17%. “É considerável se pensarmos que não havia nada. Ainda há uma resistência por parte do setor, pois antes da lei, não havia conhecimento legal ou até mesmo essa consciência ambiental”, explica a ((o))eco o empresário Zílton Fonseca, superintendente da Estre, empresa de gestão ambiental que está há 14 anos no mercado, mas que iniciou a logística reversa há apenas dois anos.

Antes da lei, a logística reversa já era posta em prática de forma pontual e apenas por empresas ou negócios especializados. “Será necessária uma cadeia com produtores, fabricantes, comerciantes e também locais próprios para receber esse material. Ainda não temos essa cadeia, não estamos preparados”, afirmou Fonseca.

Incentivo fiscal
Os desafios vão além da criação de pontos de coleta e de transporte dos produtos eletrônicos devolvidos pelos consumidores. Um deles é evitar a bitributação sobre a circulação de produtos reciclados ou reusados. “Queremos criar uma coerência fiscal para não recolher imposto sobre a circulação de uma mercadoria que é resíduo”, explica Zilda. Outro desafio é haver um incentivo aos produtos que utilizem elementos oriundos da reciclagem. “Até hoje ainda não conseguimos aprovar uma redução no imposto para produtos que tenham na sua composição elementos reciclados. Isso serviria até como um estímulo à reciclagem. A redução poderia ser de 15 ou 30% no valor do imposto”.

Lixo eletrônico
Um dos problemas é saber quanto o país gera de lixo eletrônico e, desta parcela, o que é reciclado e destinado de forma adequada. Essa informação ainda não existe.

Outro problema é como conseguir que o consumidor coopere: “O processo se inicia com a decisão do consumidor de devolver ao comércio varejista os produtos no final da vida útil, entregando-os nos pontos de recebimento pré-estabelecidos pelo comércio e indústria”, afirma Ademir Brescansin, gerente do departamento de Responsabilidade Socioambiental da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

Plano de ação
O setor de eletroeletrônicos tem até o dia 13 de junho para apresentar ao Ministério do Meio Ambiente seu plano de logística reversa. As prioridades já foram definidas e incluem, além dos próprios eletrônicos, as cadeias de embalagem plástica, óleo lubrificante e medicamentos. No segundo semestre, o plano de ação será aberto para consulta pública e, em 2014, começará a ser implantado. 

WWF lista os pecados ambientais de Belo Monte

 


Ao contrário do que cantava Ney Matogrosso, existe pecado no lado debaixo do Equador. Entretanto, os condenados às profundezas não são os pecadores. Na visão da ONG Fundo Mundial para a Natureza, a WWF, Belo Monte viola critérios fundamentais de sustentabilidade. A usina é uma das 9 avaliadas no relatório Seven Sins of Dam Building (em português, Sete pecados na Construção de Barragens), divulgado este mês pela organização não-governamental.

O relatório afirma que Belo Monte está “caindo na má economia”, pecado número 4 da lista, por sobrevalorizar os aspectos econômicos, enquanto negligencia seus impactos sociais e ambientais. E esse não é a sua única profanação aos critérios de sustentabilidade. Ela estaria sendo construída no rio errado (pecado 1), negligenciando a biodiversidade (pecado 3), gerenciando mal os riscos e impactos que provoca (pecado 6) e caiu na tentação de construir (pecado 7), ou seja, não avaliou corretamente custos e necessidade da obra. 

Belo Monte será a segunda maior hidrelétrica do Brasil. O estudo de caso apresentado no relatório destaca o desvio que a usina produzirá no Rio Xingu. De acordo com o texto, o fluxo residual do rio terá de ser suficiente para sustentar as necessidades do ecossistema e as atividades de subsistência das comunidades indígenas e ribeirinhas. Aproximadamente 20 mil pessoas serão afetadas pela barragem, que deve produzir menos energia do que o divulgado no início pelo governo federal.

As nove barragens e os sete pecados contra a sustentabilidade

(1) Construção no rio errado
(2) Negligenciar as flutuações do rio
(3) Negligenciar a biodiversidade
(4) Cair na má economia
(5) Falhar ao obter licença socialpa ra operar
(6) Gerenciar mal riscos e impactos
(7) Cair cegamente na tentação ou na tendência a construir

 (1)(2)(3)(4)(5)(6)(7)
Projeto Coosa (EUA) XX   X
Belo Monte (Brasil)X XX XX
Kaunertal (Áustria)XXXXXXX
Pequenas hidrelétricas na RomêniaXXXXXXX
Moraca HPP (Montenegro) XXXXXX
Cide HEPP (Turquia)XX X XXX
Bogunchanskaya (Rússia) X X XXXXX
Xayaburi (Laos) X X XXXXX
Gibe III (Etiópia) X X XXXXX

De acordo com o WWF, o fluxo do Rio Xingu pode ser reduzido em até 60% em um ano seco. O relatório cita o estudo Economia da Mudança do Clima no Brasil: custos e oportunidades, que demonstra o impacto das mudanças climáticas no potencial de geração hidrelétrica na Amazônia. Segundo o estudo publicado em 2011, a redução de aproximadamente 30% na capacidade de produção hidrelétrica comprometeria a viabilidade econômica das usinas na região. “A recente seca de janeiro de 2013, que deixou reservatórios em níveis criticamente baixos demonstrou mais uma vez a vulnerabilidade do Brasil, fortemente dependente da água para geração de energia”, afirma o relatório do WWF. 

De acordo com o especialista em Segurança da Água da ONG, Jian-hua Meng:

“Para garantir aceitáveis níveis de sustentabilidade social e ambiental, instalações e operações de barragens devem ser estritamente comparados com critérios sustentáveis como os formulados pela Comissão Mundial de Barragens ou o Protocolo de Avaliação de Sustentabilidade Hidrelétrica. Se necessário, os projetos com desempenho insuficiente devem ser modificados ou anulados”

“Devidamente planejadas, construídas e operadas, as barragens podem contribuir para a segurança alimentar e energética, infelizmente interesses de curto prazo são muitas vezes o foco da tomada de decisão.”

O Brasil não é o único a profanar os critérios de sustentabilidade. Os chamados pecados do relatório são cometidos tanto por países em desenvolvimento quanto por nações ricas. Segundo a WWF, empresas e engenheiros do G7, grupo dos sete países mais ricos do mundo, não só empurram aos mercados emergentes projetos inaceitáveis de usinas, mas também os implantam na União Europeia e na América do norte. Como exemplo, o relatório cita as usinas de Kaunertal, que pode causar uma pesada deterioração ecológica em três vales alpinos na Áustria.

O relatório diz que os erros cometidos são evitáveis e não existem desculpas para as violações cometidas nos 9 projetos avaliados.

Um macaco sem galhos: guariba-de-mãos-ruivas

      

legenda: O guariba, do seu galho, observa. Alta Floresta, Mato Grosso. Foto: crijnfotin /Flickr
Hoje, sabemos que o Brasil conta em seu território com 103.870 espécies animais, a maior diversidade biológica do planeta. Neste impressionante número, estão cerca de 77 espécies de primatas. E aí se esconde uma espécie de macaco que talvez não seja tão conhecida do público: o guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebul) – também conhecido por guariba, guariba-de-mãos-vermelhas, guariba-preta ou bugio-de-mãos-ruivas – primata endêmico do Brasil.

O guariba prefere áreas de vegetação aberta de transição com alta frequência de babaçus. Também pode ser encontrado em florestas de várzea e matas ciliares e, até, em vegetação de mangue. Não é difícil achá-lo: tem grande porte, medindo até 1 metro de comprimento da cabeça à cauda, e pesando entre 6,5 e 8,0 Kg, machos, e 4,8 e 6,2 Kg, fêmeas. Sua pelagem preta (as vezes marrom-escura) é curta e áspera, com mãos, pés e porção final da cauda avermelhados. A cauda preênsil, auxilia na lenta locomoção quadrupedal de um macaco que raramente salta.

Os A. belzebul vivem em grupos de 2 a 14 indivíduos liderados por um macho adulto. Os machos costumam vocalizar para determinar a localização do seu grupo e de outros, bem como para defender seu território de invasões.

A gestação, que ocorre a cada dois anos, dura mais de 150 dias, gerando um único filhote. Nas primeiras 3 semanas de vida, eles são carregados pela mãe junto ao ventre; em seguida, ficam agarrados no dorso. As fêmeas cuidam dos filhotes até o desmame que ocorre depois de 15 meses de vida. Ao atingir a maturidade sexual, entre 36 e 40 meses de vida, os machos se afastam do grupo.

Sua dieta é predominantemente de flores, folhas e frutos verdes ou maduros. Esta dieta sofre alterações sazonais, com predominância de frutos na estação chuvosa, e de folhas na estação seca. Também consomem cupinzeiros para auxiliar na absorção de compostos secundários e como complemento mineral.

A espécie enfrenta a ameaça de extinção

O A. belzebul é um animal pouco ativo, de movimentos lentos, que passa mais de 70% de seu tempo em descanso, a outra parte é gasta em atividades de alimentação. Esta característica o torna ameaçado pela caça e, nada surpreendente, é considerada como "Vulnerável" pela IUCN. Outro motivo, talvez mais relevante, é a sistemática redução de seus habitats: a Mata Atlântica e da Floresta Amazônica. O Resultado é a significativa queda nos últimos 36 anos da população do guariba, sendo que as populações do Nordeste encontram-se em estado crítico pela lista do ICMBio, tendo menos de 200 indíviduos.

"Cada macaco no seu galho", diz a expressão popular. Mas o que será do macaco quando acabarem os galhos?

segunda-feira, 18 de março de 2013


Ricardo Baitelo. Crédito: André Pinnola/Funbio
O investimento em energias alternativas por parte de grandes empresas que utilizam o petróleo como seu carro-chefe é uma estratégia econômica de diversificar o seu portfólio e “dar uma aparência mais sustentável”, disse esta semana a ((o))eco o coordenador da campanha de energia do Greenpeace, Ricardo Baitelo.

Segundo ele, “se a gente analisar o quanto as empresas investem em alternativas descobre que é comparativamente pouco em relação ao que destinam à exploração de petróleo. Esta é uma forma de dar uma cara mais sustentável, embora há empresas que já atentem para a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa”.

De acordo com o Greenpeace, cerca de 80% da oferta de energia primária hoje no mundo advém de combustíveis fósseis e 7% de energia nuclear. O restante, a fatia das fontes de energia renováveis, representa 13% da produção mundial de energia primária. Em geração de energia elétrica, a parcela das renováveis sobe para 18%.

Para Baitelo, é possível investir em energias alternativas para suprir a demanda energética. “Na chamada revolução energética é possível fazer uma transição, não é da noite para o dia e não é uma resposta simples. É múltipla e precisa de um plano de transição”, disse ao defender as fontes eólica e solar.

Criação de empregos no setor de alternativas

Baitelo destaca que a solar é a fonte que mais cresce hoje no Brasil, cerca de 50% ao ano. O histórico mostra que a escala reduz os seus custos. À medida que o uso da energia solar dobra, é possível reduzir em 20% o seu preço. “Isto significa que o preço da energia solar cai 10% ao ano e, em 10 anos, poderemos ter uma energia solar acessível”, diz.

Países como Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Japão já investem há um bom tempo na solar, mas é no Brasil e no continente africano que ainda existe um grande potencial para essa tecnologia. “No Brasil, a solar tem um grande potencial. Em segundo lugar está a eólica e, em seguida, a biomassa a partir de resíduos agrícolas, industriais e florestais. Existe ainda uma fonte pouco falada, a energia oceânica”, diz Baitelo.

Segundo ele, pela grande extensão da costa brasileira, o país pode aproveitar o movimento mecânico das ondas do mar e transformá-lo em energia. “Esta ainda é a mais cara de todas, mas já existem pesquisas no Brasil sobre isso. Não podemos apenas confiar na chuva e no vento que são inconstantes para gerar energia. Não basta ser limpa, a fonte tem que ser constante”.


A visão da WWF

No estudo publicado em 2012, “Além de grandes hidrelétricas: políticas para fontes renováveis de energia elétrica no Brasil”, a WWF (World Wildlife Fund) garante que o país tem capacidade para aumentar em, pelo menos, 40% a produção de eletricidade a partir de fontes renováveis alternativas, sobretudo se investir na geração de energia eólica e biomassa.

No caso da eletricidade gerada a partir do vento, por exemplo, a WWF revela que o Brasil é capaz de produzir 300 milhões de quilowatts por ano (o equivalente a mais de usinas de Itaipu). Atualmente, não produzimos nem a metade, 114 milhões de quilowatts/ano.

Na Biomassa, o potencial de geração de eletricidade é calculado a partir da disponibilidade de bagaço de cana-de-açúcar, principal fonte desta modalidade no país. Existem 440 usinas de cana-de-açúcar em atividade no Brasil, mas a maioria delas produz energia somente para suprir as necessidades energéticas das próprias unidades de processamento do setor sucroalcooleiro. Apenas 100 usinas produzem eletricidade para o sistema elétrico nacional. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (UNICA), o potencial de geração de eletricidade dessa fonte é de 1,5 milhão de quilowatts/ano. Segundo o Instituto Acende Brasil, os canaviais existentes no Brasil poderiam gerar cerca de 14 milhões de quilowatts/ano.

Além da cana-de-açúcar, os resíduos sólidos também têm grande potencial, por meio de energia retirada do biogás. A previsão é que as tecnologias de gaseificação de biomassa tornem-se competitivas apenas em 2020, segundo o Plano Nacional de Energia 2030, elaborado pelo Conselho Nacional de Política Energética. O plano prevê a entrada em operação de sistemas de gaseificação de biomassa no setor sucroalcooleiro que gerarão 5% da energia do país. Já a previsão para 2030 é que essa participação cresça para 13%.

Ainda segundo a WWF, a energia solar pode produzir o dobro da energia que Itaipu usando uma área equivalente ao lago desta usina hidrelétrica. Se o espelho do lago de Itaipu fosse totalmente coberto com painéis fotovoltaicos seria possível produzir 183 milhões de quilowatts/ano contra cerca de 90 milhões que Itaipu produziu em 2011.

Por fim, o balanço econômico está mudando em favor das energias alternativas.É cada vez mais caro produzir energia hidrelétrica no Brasil, pois os melhores pontos para construir usinas já foram usados. Em contrapartida, a medida que a tecnologia avança, o preço das alternativas cai.

fonte - www.oeco.com.br

Ótima entrevista - Lance Amstrong na Oprah

Um dos maiores ciclistas da atualidade fala sobre o uso de anabolizantes e o declínio de sua carreira....assistam que vale a pena.